Campus Party Recife – Colaboração com as distros GNU/Linux

No último sábado, 29 de Julho, na primeira edição da Campus Party Recife, participei de uma conferência sobre "Como a comunidade brasileira contribui com as Distribuições GNU/Linux". Foi muito bom poder falar sobre como os brasileiros têm colaborado com o projeto Debian e conhecer o @andre_noel, um cara muito gente fina, que também abordou como isso vem ocorrendo no Ubuntu.

Infelizmente, devido a problemas técnicos, não foi possível interagirmos com os colegas @izabelvalverde do OpenSuse, @rodrigopadula do Fedora, e @rafaelmartins do Gentoo, que deveriam ter participado via videoconferência diretamente do Fórum Internacional Software Livre. Foi realmente uma pena, pois o público presente estava bastante participativo, tanto que o tempo não foi suficiente para respondermos todas as perguntas.

Para quem tiver interesse e disposição, segue abaixo uma gravação na íntegra do que rolou.

Aproveito para agradecer à organização da Campus Party Recife, pelo imenso esforço para torna realidade um evento desse porte na região Nordeste, principalmente em tão pouco tempo. Agradeço especialmente ao Paulo Henrique Santana (@phls00), um dos curadores do cenário Pitágoras, pelo convite que me fez para participar como palestrante.

Espero que no próximo ano tenhamos mais uma edição do evento, de preferência em uma data que não haja choque com o FISL, onde possamos ter mais espaço para divulgação das iniciativas com base em Software Livre. Um forte abraço e até a próxima! :-)

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Declaração de Diversidade do projeto Debian

No último domingo, dia 03/06/12,  após um processo de votação conhecido como Resolução Geral, o projeto Debian divulgou o resultado no qual foi ratificada sua Declaração de Diversidade, cuja tradução não oficial segue abaixo:

"O Projeto Debian acolhe e encoraja a participação de todos.

Não importa como você se identifica ou como os outros te percebem: nós te acolhemos. Nós acolhemos as contribuições de todas as pessoas, contanto que elas interajam construtivamente com a nossa comunidade.

Embora grande parte do trabalho para nosso projeto seja de natureza técnica, nós valorizamos e encorajamos contribuições de pessoas com experiência em outras áreas, e as acolhemos em nossa comunidade."

Com isso, mais uma vez o projeto mostra a importância de valorizar seus colaboradores, que há mais de 19 anos fazem dele uma realidade.

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Pessoas por trás do Debian: Francesca Ciceri, membro das Equipes de Impressa e Publicidade do Debian

Olá colegas! Depois de uma longa temporada (quase dois anos) sem postar nada, devido à falta de tempo e principalmente à mudança de hábito decorrente da utilização das redes sociais e microblogs, estou de volta com um domínio próprio e um novo hosting gentilmente cedido pelo meu amigo @wagnerpaxs.

Desta vez apresento uma tradução não-oficial da entrevista concedida pela Desenvolvedora Debian Francesca Ciceri para o blog do Raphaël Hertzog, onde o mesmo tem publicado outras entrevistas que fazem parte de uma série chamada "People Behind Debian (Pessoas por trás do Debian)".  Raphaël é Desenvolvedor Debian e um dos atuais responsáveis pelo Sistema de Gerenciamento de Pacotes Debian (DPKG) além de outros pacotes importantes.  Recomendo fortemente a leitura, principalmente para quem equivocadamente ainda acha que o projeto Debian é constituído apenas por programadores anti-sociais ou algo do gênero.

Em breve pretendo publicar outras traduções de entrevistas da série. Por hora, fiquem à vontade para postar seu comentários e/ou sugestões.

Fonte:http://raphaelhertzog.com/2012/04/06/people-behind-debian-francesca-ciceri-member-of-debian-press-publicity-teams/

francesca Eu conheci Francesca na Debconf 11 em Banja Luka.  Se eu recordo corretamente, Enrico Zine é que me apresentou a ela, porque ela era a "madamezou" (seu apelido de IRC) que começou a se envolver com a equipe de publicidade. Desde então — e apesar de ter uma tese de bacharelado para concluir — ela ficou mais envolvida e até ganhou responsabilidades oficiais no projeto.

Antes de começar a entrevista, eu queria mencionar que Francesca está elaborando uma declaração de diversidade para o Debian... Eu estava esperando as discussões não darem em nada mas ela escutou todas as objeções e tratou de melhorar o texto e construir um consenso em torno dele. Obrigado por isso e continue com o bom trabalho, Francesca!

 

Raphaël: Quem é você?

Francesca: Meu nome é Francesca, eu tenho 30 anos e estudo Ciências Sociais. Atualmente eu moro na Itália mas estou planejando ir para o estrangeiro (não há muitos empregos aqui para cientistas sociais geeks). Além do Debian e do mundo FLOSS em geral, eu tenho paixões desenfreadas por chocolate; filmes de zumbi; sci-fi, livros de zumbi; {tricô|costura|artesanato} e bricolagem em geral; videogames de zumbi, bicicletas, desmontagem de objetos para ver que que tem dentro deles; filmes do splatter B, livros de David Foster Wallace, tocar trompete, e ... eu já mencionei zumbis?

Os dias são muito curtos para todas essas coisas, mas eu tento fazer o meu melhor.


Raphaël: Como você começou a contribui para o Debian?

Francesca: Alguns anos atrás eu estive presa na cama por — literalmente — alguns meses, devido à uma série de graves crises de enxaqueca. Eu não era capaz de fazer nada: sem vida social, sem livros ou televisão. Então, eu decidi ligar o laptop e fazer algo construtivo com ele: Eu já era uma usuária Debian e parecia muito lógico para mim tentar dar um retorno à comunidade. Eu não sou uma programadora e eu não estudei Ciência da Computação, então o meu primeiro passo foi me juntar a uma comunidade on-line de Debian da Itália (Debianizzati) e ajudar com tutoriais, suporte a usuários, gerenciamento de wiki. Em alguns meses eu aprendi muitas coisas: ajudar outros usuários com seus problemas obriga você a fazer muita pesquisa!

Minhas primeiras contribuições para o projeto Debian foram na maioria traduções do site web principal. Os tradutores são os perfeitos observadores de erros de digitação: eles trabalham tão precisamente sobre o texto a ser traduzido que eles terminam fazendo um grande trabalho de QA. Assim é como eu comecei a contribuir para o site web do Debian: com coisas muito simples, corrigindo erros de digitação ou links errados ou tags wml equivocadas. Eu ainda me lembro do meu primeiro comitt para o site web: a ideia era pôr algumas tags em minúsculo, mas terminou que eu deixei faltando algumas delas e — além disso — eu as corrigi apenas na página em inglês e não nas traduções como necessário. Quando depois de alguns minutos, Kåre Thor Olsen — um antigo colaborador da equipe e agora webmaster  — reverteu o meu commit, eu me senti tão estúpida e cheia de vergonha. Mas, para minha grande surpresa, ninguém me tratou como uma idiota por causa daquele erro: Gerfried Fuchs, um dos gurus da equipe, me responde de uma forma muito atenciosa e educada explicando o que eu fiz de errado e como fazer as coisas corretamente. Acho que esse episódio foi um momento decisivo na minha vida no Debian: há essa ideia de que Desenvolvedores Debian são apenas um bando de idiotas arrogantes e talvez isso foi verdade no passado, mas por minha experiência eles não são. bem, pelo menos os que eu conheci e com quem trabalho. ;-)

"Para minha grande surpresa, ninguém me tratou como uma idiota por causa daquele erro."

Desde então, eu me juntei à equipe WWW e os ajudei a aplicar o novo e brilhante design disponibilizado por Kalle Söderman. Muito trabalho foi feito durante a semana imediatamente antes do lançamento do novo site web. Oh, aquela foi uma semana! Nós trabalhamos noite e dia para ter o novo design pronto para 06 de fevereiro, e foi fantástico quando nós finalmente o publicamos, simultaneamente com o lançamento do Squeeze.

Ao mesmo tempo, eu comecei a contribui mais ativamente para a Equipe de Publicidade do Debian, não apenas traduzindo notícias mas também as escrevendo. Pode parecer assustador para um falante de inglês não nativo escrever algo a partir do zero em inglês, mas você tem que manter em mente que seu texto será revisado por falantes nativos antes de ser publicado. E nós temos alguns revidores fantásticos na equipe de localização para inglês: particularmente Justin B Rye, que é incansável no seu esforço e  — mais recentemente — Moray Allan.

Eu acho que sou particularmente sortuda por trabalhar com todas essas pessoas: há um clima especial tanto na equipe de Publicidade quanto na WWW, que faz você se sentir feliz em fazer as coisas e ao mesmo tempo o empurra para fazer mais, justamente porque é divertido trabalhar com eles compartilhando piadas, ideias, retóricas, patches e abraços.


Raphaël: Eu acredito que você passou pelo processo de novo membro muito rapidamente. Você agora é uma Desenvolvedora Debian que não sobe pacotes. Como foi a experiência e o que isso significa para você?

Francesca: Me tornar uma Desenvolvedora Debian não era tão óbvio para mim, porque eu não precisava ser uma DD para o trabalho que eu faço no Debian. Por exemplo, eu não mantenho pacotes, então eu não tinha razões para querer me tornar uma DD para ter permissão de subir pacotes. Por um tempo eu realmente não senti a necessidade de ser uma DD.

Felizmente, algumas pessoas começaram a me incomodar sobre isso, me pedindo para aplicar para o processo de NM. Eu lembro Martin Zobel-Helas fazendo isso por uma semana inteira todos os dias, e Gerfried Fuchs fazendo isso também. De repente, eu percebi que as pessoas com quem eu trabalhava achavam que eu merecia o status de DD e que eu simplesmente pensava que não merecia. Como uma não-programadora e mulher, havia provavelmente um pouco da síndrome do impostor envolvida. Tendo pessoas me encorajando, me deu mais confiança e o desejo de  finalmente me tornar uma DD. E então eu fiz.

O processo para DD que não sobe pacotes é idêntico a um para se tornar um DD que sobe pacotes, com uma exceção: na segunda parte do processo (chamada Tasks and Skills (tarefas e habilidades)) ao invés de perguntas sobre como criar e manter pacotes, há perguntas sobre o trabalho não relacionado a empacotamento que você geralmente faz no Debian.

A resolução geral que criou a possibilidade de se tornar um DD que não sobe pacotes nos deu uma chance de reconhecer o grande esforço de contribuidores Debian que trabalham em várias áreas (traduções, documentação, trabalhos gráficos, etc.) que nem sempre eram consideradas tão importantes quanto os esforços de empacotamento. E isso é ótimo porque se você é um contribuidor regular, se você ama o Debian, e está comprometido com o projeto, não há razões para não ser um membro oficial do mesmo.

Como relação a isso, eu gosto da metáfora usada por Meike Reichle em sua recente palestra sobre o Projeto Debian Women (gravação do vídeo disponível aqui):

"um status de Desenvolvedor Debian é muito parecido com uma cidadania em um país no qual você vive. Se você vive em um país e você não tem cidadania, você pode encontra um trabalho, comprar um cavalo, ter uma família [...] mas se esse país – em algum momento – decide ir em uma direção que você não gosta, não há nada que você possa fazer sobre isso. Você não está em posição de fazer nenhuma mudança ou fazer qualquer efeito sobre esse país: você apenas vive nele, mas não há nenhuma forma que você possa exercer influência sobre aqueles que conduzem esse país."


Raphaël: Você recentemente juntou-se à Equipe de Imprensa do Debian. O que isso acarreta e como você está gerenciando esta nova responsabilidade?

Francesca: A Equipe de Imprensa é basicamente a ala armada da Equipe de Publicidade: ela lida com anúncios que precisam ser mantidos privados até o lançamento, modera as listas de discussão debian-announce e debian-news e mantém contatos com pessoas da imprensa de fora do projeto.

O trabalho “real”, então, é feito dentro da Equipe de Publicidade. A parte mais importante do nosso trabalho é escrever anúncios e o boletim de notícias: enquanto o boletim de notícias é publicado quinzenalmente, as notícias precisam ser escritas em um curto intervalo de tempo. O trabalho de localização é realmente importante na divulgação da mensagem do Debian, então nós trabalhamos estreitamente com os tradutores: tanto os anúncios quanto o DPN são geralmente traduzidos em quatro ou cinco idiomas diferentes.

O trabalho de publicidade pode ser estressante, pois nós temos prazos restritos, nós precisamos tomar decisões rápidas e frequentemente fazemos mudanças no último minuto. Pessoalmente, eu gosto disso: eu trabalho melhor sobre pressão. Mas eu reconheço que algumas vezes é difícil para os colaboradores aceitarem que nós não podemos debater interminavelmente os detalhes, nós temos apenas que continuar e fazer o nosso melhor em um determinado prazo.

"O trabalho de publicidade pode ser estressante, pois nós temos prazos restritos, […]. Pessoalmente, eu gosto disso."


Raphaël: Você é uma dos principais editores por trás do Notícias do Projeto Debian. Qual é o papel e o escopo desse boletim de notícias?

Francesca: Notícias do Projeto Debian é o nosso amado boletim de notícias, sucessor direto das Notícias Semanais do Debian fundado por Joey Hess em 1999 e posteriormente mantido por Martin Schulze. Em 2007, o Notícias Semanais do Debian foi descontinuado mas em 2008 o projeto foi ressuscitado por Alexander Reichle Schmehl. A ideia por trás do DPN é proporcionar aos nossos usuários uma visão geral do que está acontecendo dentro e fora do projeto.

Como a equipe principal de editores é formada por três pessoas, o problema principal é ser capaz de coletar notícias suficientes a partir de várias fontes: nesse sentido, somos sempre gratos quando alguém nos indica posts de blogs interessantes, mensagens de correio ou artigos.

O DPN também é uma chance de não-programadores contribuírem para o Debian: propor notícias, escrever parágrafos e rever o rascunho antes da publicação são tarefas bastante fáceis mas muito úteis. Os falantes nativos de inglês podem fazer uma revisão (pois nenhum dos editores principais é um falante nativo) enquanto outros sempre podem traduzir o DPN em seu idioma nativo. As pessoas que querem nos ajudar poder dar uma olhada na nossa página wiki.

"O DPN também é uma chance de não-programadores contribuírem para o Debian."

Somente ontem eu percebi que desde janeiro não perdemos ou atrasamos uma edição: então eu gostaria de agradecer à fantástica equipe de editores, revisores e tradutores que tornaram isso possível.

A equipe agora está trabalhando em uma outra forma de divulgar as mensagens do Debian: um antigo projeto está finalmente tornando-se real. Fiquem atentos, surpresa chegando!


Raphaël: Você está tentando organizar sessões de treinamento via IRC mas que parecem não decolar no Debian enquanto isso é bem comum na comunidade Ubuntu. Como você explica isso?

Francesca: Eu não tenho certeza disso: tanto os usuários Debian quanto os colaboradores parecem apreciar essa iniciativa no passado. Eu fiquei bastante surpresa pela quantidade de membros do Debian presentes durante as várias sessões e pela quantidade de perguntas interessantes feitas pelos usuários. Então, a única razão que eu posso pensar a respeito é que eu preciso por mais entusiasmo para convencer as equipes a fazer isso: elas precisam de mais estímulo ( ou serem mais incomodadas!).

Eu, por mim, acho que as sessões de treinamento via IRC são uma ótima maneira de promover o nosso trabalho, compartilhar nossa melhor prática, falar sobre o nosso projeto para um público mais amplo. E com certeza eu tentarei organizar mais delas. Ajuda, sugestões, ideias são realmente bem vindas!


Raphaël: Se você pudesse empregar todo o seu tempo no Debian, em que você trabalharia?

Francesca: Há um projeto ao qual eu gostaria de dar mais afeto, mas eu sempre acabo sem tempo para fazê-lo: o projeto debian-community.org. Por volta de 2007, Holger Levsen o fundou com o objetivo de reduzir a lacuna entre o colaboradores do Debian e os usuários do Debian, dando a todos uma oportunidade de contribuir, compartilhar ideias e muito mais. O projeto foi descontinuado e eu realmente gostaria de ressuscitá-lo: nesses anos várias coisas mudaram, mas eu acho que a ideia principal de ter um nó para conectar as comunidades locais existentes ainda é boa e viável.  No Debian nós não temos a ampla e bem articulada infra-estrutura local presente em outras distribuições (Ubuntu, particularmente, mas também Fedora): mesmo que eu não goste de estruturas muito centralizadas, eu acho que uma melhor conexão entre o projeto e os grupos locais de usuários e comunidades on-line seria um passo à frente para o projeto.

Sendo parte da Equipe de Eventos, eu estou ciente do quanto precisamos melhorar nossa comunicação com os grupos locais. Um exemplo é a organização de eventos: algumas vezes, mesmo as equipes de Publicidade e Eventos não sabem dos eventos regionais relacionados ao Debian (como estande em conferências, oficinas, palestras, festas de instalação, etc).

O que nos falta é uma melhor comunicação. E o projeto debian-community.org poderia nos dar exatamente isso. Poderia ser um aglomerado de grupos locais, uma plataforma para organização de eventos e até um recurso útil para novatos que queiram encontrar um grupo local perto deles. Eu comecei algum esforço nesse sentido, enviando uma proposta sobre o assunto, trabalhando em um censo de grupos locais de Debian. Qualquer ajuda é apreciada!

Eu estou realmente curiosa para ver quantas comunidades Debian (ao redor do mundo e da web) estão lá fora, e eu adoraria ter os membros dessas comunidades melhor conectados com o Projeto Debian.


Raphaël: Qual é o maior problema do Debian?

Provavelmente o fetichismo de quase todos nós pelos detalhes menos importantes. É o outro lado da moeda do compromisso do Debian com a excelência técnica e o nosso perfeccionismo, mas algumas vezes leva apenas à discussões intermináveis sobre detalhes, e isso é um bloqueio para várias iniciativas.

No Debian, você tem que ser realmente paciente e — de um modo — teimoso para forçar algumas mudanças. Isso é frustrante algumas vezes.

Por outro lado, eu realmente aprecio como as pessoas levam algum tempo para pensar sobre cada uma das propostas, dando uma resposta e discutindo sobre as mesmas: o processo pode ser irritante, de fato, mas o resultado frequentemente é uma melhoria da proposta inicial.


Raphaël: Há alguém no Debian que você admire por suas contribuições?

A maioria dos meus colegas de equipe é simplesmente brilhante e adorável e trabalha duro. Mas eu tenho que admitir que eu admiro particularmente David Prévot: além se ser um webmaster, ele faz um monte de coisas, desde traduções para o francês até edição do DPN. Todas as suas contribuições têm uma ótima qualidade e ele é capaz de te empurrar sempre além para fazer as coisas e fazê-las melhor. Ele é um bom exemplo de como eu gostaria de ser como colaboradora: inteligente, incansável, amigável.


Obrigado à Francesca pelo tempo gasto respondendo minhas perguntas. Eu espero que tenham gostado de ler as suas respostas assim como eu gostei. Observe que as entrevistas mas antigas estão indexadas em wiki.debian.org/PeopleBehindDebian.

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Entrevista com Stefano Zacchiroli, novo líder do projeto Debian

Tomei a liberdade de fazer uma tradução não oficial de uma interessante entrevista, feita pelo portal  iTWire, com o novo Líder do Projeto Debian (DPL), eleito em 16 de Abril de 2010, para o mandato 2010/2011  .    Nascido na Itália, atualmente com 31 anos, Stefano Zacchiroli tem colaborado com o projeto desde Março de 2001, e faz parte da força-tarefa de mantenedores OCaml do Debian, e da equipe de garantia de qualidade do Debian, onde mantém partes da infra-estrutura, como o Sistema de Rastreamento de Pacotes (PTS).

Peço que desculpem os possíveis deslizes na tradução, e fiquem à vontade para críticas e/ou sugestões.

Fonte: http://www.itwire.com/opinion-and-analysis/open-sauce/38579-keeping-1000-devs-focused-new-debian-leader-speaks

Por Sam Varghese
Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Dez dias atrás, o novo líder do Projeto Debian GNU/Linux, Stefano Zacchiroli, iniciou seu mandato como o único líder eleito de um projeto de software livre.  Mas essa não é a única coisa que faz do Debian único no espaço FOSS  (Software Livre e de Código Aberto).

O projeto tem mais de 1000 desenvolvedores de todos os cantos do globo e, apesar dos argumentos e debates que figuram em suas várias listas de discussão, ainda reúne uma distribuição que é de primeira qualidade e atende a mais arquiteturas do que qualquer outra.

Stefano Zacchiroli

Zacchiroli, um bolsista de pós-doutorado de uma universidade em Paris, tem portanto uma tarefa bastante difícil pela frente desde o começo de seu mandato.  Ele levou algum tempo para falar ao iTWire sobre seus planos para o ano.

Parabéns por ter sido eleito. Qual a sensação de ser o líder de um grupo que tem mais de 1000 desenvolvedores e cerca de 2000 opiniões?

Obrigado... mas eu não acho que seus números sejam justos.  Nós temos opiniões diferentes em assuntos específicos algumas vezes, mas não mais (ainda) do que uma por DD (Desenvolvedor Debian).  Na verdade, eu acho que ter opiniões diferentes e usar democracia e "uma estrutura onde quem faz decide" (do-ocracy) para enfrentá-las é uma das características mais interessantes e distintas do projeto Debian.

Voltando à sua pergunta,  meus sentimentos principais são:  sou honrado pela confiança que outros DDs têm demonstrado em mim, mais um entusiasmo com a possibilidade de ajudá-los a desfrutar mais da sua participação no Debian.  (Há também) um pouco,  pouquinho de medo da responsabilidade.

Em sua plataforma, você disse que pretende ser um "DPL presente juntamente nas discussões e como responsável pela agenda do projeto."  O que exatamente você quer dizer com isso?

Eu queria dizer duas coisas diferentes.  Uma delas foi a minha intenção em participar da maioria das "grandes" discussões no projeto,  especialmente em caso de conflitos.  A função de DPL não tem autoridade específica para tomar decisões em diversas áreas (sobretudo em questões técnicas), mas deve ajudar na resolução de conflitos e, mais geralmente, facilitando a interação entre os desenvolvedores.

Outro aspecto relacionado é a responsabilidade do DPL de fazer o trabalho de contabilidade.  Por exemplo, o DPL deve tomar cuidado em lembrar que  precisamos ter uma discussão específica, em um período específico.  Se ninguém se lembrar de levantar a questão antes que seja tarde demais, o DPL deve fazer isso.  Este conjunto de discussões para ter é o que forma a agenda do projeto.

Novamente sobre sua plataforma,você disse que iria proporcionar  caminhos de acesso ao Debian mais graduais e gratificantes.  Aproveito isso para dizer que você acha que a forma atual de aceitação de pessoas como desenvolvedores é muito burocrática.  Que mudança você tem em mente?

Na verdade não, não é isso que eu quis dizer.  Eu entendo como o nosso processo pode parecer mais burocrático do que os outros projetos onde, dizem, são necessárias apenas indicações.

Observe, entretanto, que a nossa burocracia é principalmente destinada a verificar se o candidato compartilha do nossos princípios de fundação e compartilha das promessas que fizemos aos nossos usuários, ou seja, o Contrato Social Debian.  As partes técnicas do nosso processo de adesão podem ser (e muitas vezes são) aceleradas para pessoas que já provaram suas habilidades técnicas, por exemplo, quem já tenha contribuído com uma quantidade significativa de bom trabalho.

O meu ponto no texto que você citou foi mais sobre o fato de que por muito tempo, ser um colaborador reconhecido do Debian tem sido "tudo ou nada".  Nos últimos anos, a situação tornou-se muito melhor com a introdução do Mantenedor Debian, um status que é mais fácil de obter do que o DD completo, e que os possibilita trabalhar - fazendo upload dos pacotes - em áreas específicas do projeto.  Eu acho que devemos aprender com isso, que há lá fora contribuintes que não estão interessados em se tornar DDs completos, mas que ainda querem ajudar, e merecem ser reconhecidos por isso.

Eu não tenho nenhuma mudança específica para propor agora, mas eu sei que nós precisamos ter uma discussão apropriada para decidir a melhor forma de reconhecer a existência dos contribuidores não-empacotadores  (web designers, tradutores, artistas, etc.), que merecem ser reconhecidos com membros do projeto Debian.

Outro ponto que você pois em sua plataforma: "Eu lutarei fortemente contra a propriedade do pacote quando ele entrar em conflito com a qualidade."  Obviamente, isso deve ter sido baseado em algum incidente.  Sem dar nome às pessoas ou pacotes, você pode dar uma ideia de como tais situações acontecem?

Nenhum incidente específico, pacote ou pessoa.  Pelo contrário, o ponto é que precisamos continuar uma mudança cultural, que felizmente já está acontecendo.

Bem no início não havia campo "Mantenedor" associado com pacotes Debian;  adicionando-o mudaram as regras do jogo.

De repente as pessoas se sentiram mais responsáveis sobre seus pacotes específicos (o que é bom), mas também se tornaram mais resistentes às mudanças realizadas por outros (o que é ruim),  e ações como uploads por não-mantenedores (NMUs), onde algumas vezes viram com ataques pessoais, ao invés de entender como tentativas de ajudar um colega desenvolvedor.

Como previsto, nos tornando muito melhores nos últimos anos.  Durante recentes campanhas NMU para corrigir bugs Críticos de Lançamento (Release-Critical) tendo em vista o Squeeze (nossa próxima versão estável), todos os participantes relataram ter recebido basicamente apenas mensagens de "obrigado" por cada NMU adequado.

Da mesma forma, a maioria dos pacotes Debian são atualmente mantidos por equipes que são fáceis de se juntar, e no qual membros podem contribuir simplesmente fazendo commit em algum sistema de controle de versão.

Isso faz a mudança em uma distribuição onde colegas trabalham lado-a-lado mas em pacotes individuais, na qual todos são  igualmente responsáveis pela boa qualidade de um  lançamento como um todo, e devem também se preocupar com os pacotes dos outros.

Você tem algum plano específico para melhorar a comunicação entre Debian e Ubuntu?   Ou o Debian, como um desenvolvedor colocou, terminará sendo um supermercado de pacotes para Ubuntu?

Eu acho que o principal objetivo aqui é estabilizar um sensato - e bastante típico de FOSS - relacionamento "upstream-downstream" entre Debian e Ubuntu.

Tecnicamente, isso significa que nós devemos derrubar todas as barreiras para troca de patches entre as duas distribuições (e em ambas direções). O mais fácil é um DD revisar e seletivamente importar patches do Ubuntu, o melhor;  isso é provavelmente o mesmo para os desenvolvedores Ubuntu.

Socialmente, todos devem dar crédito onde o crédito é devido.  Para ser franco, acho que o Ubuntu deve reconhecer um pouco mais o fato que eles ainda são baseados no Debian e que eles periodicamente sincronizam com o Debian.  É de conhecimento público, mas ainda não é divulgado como, digamos, um desenvolvedor de software livre deveria normalmente dar crédito a (um projeto que) importância de cerca de 70 por cento do código que ele/ela distribui.

Do nosso lado, devemos reconhecer e anunciar a existência de um fluxo de patch Ubuntu, bem como evitar ataques gratuitos ao Ubuntu que às vezes ainda podem ser lidos em nossas listas de discussão (muito embora isso aconteça muito menos do que no passado).

O objetivo final é melhorar a colaboração técnica, uma vez que é a qualidade global do software livre que estamos empacotando que está em jogo.

Apesar do fato que agora é muito fácil de instalar e usar o Debian, a impressão ainda permanece de que ainda é uma distribuição para pessoas com pelo menos algum conhecimento de UNIX. Você acha que isso é uma boa coisa boa devido a Debian ainda ser uma das mais sólidas distribuições em termos de estabilidade, segurança e gerenciamento de pacotes?

Estou tentado a propor uma troca entrevistador-entrevistado sobre esta questão e perguntá-lo "por que você tem essa impressão?", mas eu evitarei.  Não vejo qualquer tensão particular para "não requerer nenhum conhecimento UNIX para ser usado" e ser uma "distro estável/segura com sólido gerenciamento de pacotes".  Eu acredito que podemos ser ambos, e, de fato a Debian visa ser mais.

Hoje em dia todos os ingredientes que o Debian precisa para ser um desktop à prova de iniciate existem (bem, OK, exite exceção de coisas como drivers não-livres e codecs, mas esse problema será discutível muito em breve, quando o software livre terminar tomando conta do mundo).

Atualmente, escolhendo a tarefa "ambiente desktop" ao final do instalador Debian você terá um ambiente à prova de iniciante (que meus pais já usam), apesar que estará faltando um pouco com relação a alguns pacotes que precisam ser instalados - e possivelmente configurados - manualmente.

Eu acho que nós apenas precisamos de padrões sensatos aqui e ali, e talvez um pouco de ajuste da nossa seleção de tarefa.  Se não está no nível de ajuste de desktop de outras distros mais orientadas a desktop, é provável, porque entre nós (atuais) desenvolvedores ainda existem mais caras do tipo sysadmin do que caras do tipo usuário desktop.  É normal nós, como "estrutura onde quem faz decide", tendermos principalmente a coçar *nossas* sarnas, mas isso pode ser facilmente mudado, não existem maiores razões para não. Apenas motiva algumas pessoas dispostas a fazer um ajuste mais amigável ao iniciante e seleção de pacotes a se juntarem ao Debian, e fazer acontecer.  Quem sabe alguns dos leitores gostariam de se juntar a nós e tentar?

Ou você acha que poderia haver alguma flexibilização da estrutura que possa resultar em uma distro mais polida, mas que possa ter que assumir alguns compromissos com estabilidade e segurança?

Permita-me reiterar:  não há nenhum compromisso obrigatório entre ser amigável ao usuário, e ser tão estável e seguro quanto o Debian sempre foi.  Nosso único compromisso é que pretendemos ser tão universal (isto é, para todos e para todo caso de uso possível) quanto possível,  assim, nós geralmente não barganharemos os benefícios do usuário desktop por desvantagens visando outros cenários de utilização.

Essas nossas generalidades podem ser instanciadas, contudo, pela oferta de diferentes perfis ao final da instalação.  Se "o seu" está faltando ou sub-utilizado, basta "você" se juntar a  nós e adicionar/melhorá-lo. É tão simples assim.

Naturalmente, um assunto totalmente diferente é a forma como nós lançamos.  O mesmo pode ser amigável ao usuário (desktop) e ainda fazer um lançamento a cada 18 meses.  Ser de tecnologia de ponta e amigável ao usuário (desktop) não são necessariamente a mesma coisa.  Nós realmente gostamos de lançar "quando está pronto", e eu não vejo essa mudança em breve.

Você pretende colocar o orçamento do Debian online no futuro, para que qualquer um possa saber quanto vocês arrecadam e como é gasto?

Vamos primeiro esclarecer que o orçamento Debian é dividido entre diferentes organizações em todo o mundo, a fim de reduzir o custo das transferências de dinheiro para comprar coisas ou para receber doações (que é a única fonte de renda do projeto Debian).  Dito isto, a principal organização que cuida do dinheiro do Debian é a SPI, que periodicamente divulga (publicamente) atas com detalhes a respeito de todo dinheiro que entra e sai.  Ainda assim, não estou surpreso com sua pergunta, pois essas atas não são exatamente fáceis de encontra na web.  (Na verdade, eu tive acesso a esses atas, durante a campanha de DPL desse ano, só depois  eu reclamei que não estavam disponíveis ao público, e que eu pretendo mudar isso ...)

Eu faço planos para melhorar esta situação, divulgar publicamente e em um lugar de maior destaque todo o dinheiro que recebemos  de doadores e como nós o usamos: é apenas o justo, em um projeto tão aberto como nós supomos ser.

O Debian tem centenas de desenvolvedores altamente talentosos que são desconhecidos para o mundo em geral. Há algum plano para organizar algum tipo de publicidade para essas pessoas? Ou o projeto é mais importantes do que os indivíduos?

Essa é uma grande ideia, obrigado!  de fato, o projeto e nossas ideias são ambos mais importantes do que os indivíduos, sem dúvida.  No entanto, é interessante ressaltar os indivíduos, não realmente "anunciá-los", mas sim toná-los mais conhecidos pelos colegas DDs que possivelmente não estão no típico meio social Debian (IRC, listas de discussão, blog, etc.).  Como em todas as comunidades, quanto melhor nós conhecemos uns dos outros, melhor nós interagimos e trabalhamos juntos.

Nós, de fato, já trabalhamos no passado em iniciativas que ressaltam os indivíduos. Uma que me vem a mente é a série de entrevidas individuais com desenvolvedores que um colega desenvolvedor contribuiu para o planet.debian.org por um período.  Essa foi uma inciativa legal, e eu acho que nós podemos fazer mais nesse sentido, mas focando o objetivo acima, ou seja, conhecer melhor uns aos outros (o que é realmente útil em um projeto de 1000 desenvolvedores com 2000 opiniões *g*).

E finalmente, que tipo de prazo você precisa para implementar seus planos?

Boa pergunta!  Eu pretendo trabalhar em meus planos tanto quanto eu puder durante este anos, equilibrando as outras partes da minha vida:  trabalho, família, etc, visto que ainda sou um voluntário.  Eu acredito que bastante trabalho pode ser feito em um período, mas devemos verificar melhor daqui a um ano ...

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IV Encontro de Software Livre da Paraíba

Como  de costume, o G/LUG-PB se superou mais uma vez, dando um show de bola com o IV ENSOL.   Parabéns aos membros da organização pela garra e disposição, que já se tornaram marca registrada deste grupo, e obrigado mais uma vez pela oportunidade de participar como palestrante!

Obrigado também ao pessoal pela participação ativa em minha palestra, cuja apresentação disponibilizo abaixo.

Um forte abraço e até a próxima!

Implementando Clusters HPC com Debian GNU/Linux

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III Encontro de Software Livre da Paraíba

Mais uma vez o pessoal do G/LUG-PB mostrou o quanto o grupo tem gente com fibra e disposição.   Sabemos como é difícil a realização de eventos, principalmente de software livre, pois, como se não bastasse a falta de interesse das empresas em patrocinar tal proposta,  ainda temos uma tremenda falta de interesse de pessoas em ajudarem a "carregar o piano" para que a maioria possa assistir o "espetáculo".   Com o tempo, esse tipo de situação tem inviabilizado a continuidade dos eventos, o que não é diferente com o ENSOL.

Portanto, fica aqui um apelo:  O Software Livre precisa de todos para se manter vivo, isso também se estende aos eventos, AJUDEM O GRUPO DE SUA CIDADE A MANTER VIVO O EVENTO LOCAL!

Meus sinceros parabéns aos amigos guerreiros paraibanos que mais uma vez fizeram o sonho se tornar realidade, e obrigado pela oportunidade de participar como palestrante!

Como sempre, disponibilizo abaixo, o material de minha apresentação.

Implementação de clusters de alto desempenho com Debian GNU/Linux

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III ENSL / IV Festival de Software Livre da Bahia

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Queria agradecer à coordenação do III ENSL / IV FSLB pela oportunidade ímpar que tive, de participara como palestrante, nos dias 29 e 30 de maio do corrente ano.  Aos  meus conterrâneos "amigos farrapeiros", que mais uma vez arranjaram desculpas para não prestigiar o evento, só posso dizer que perderam um dos melhores eventos do nordeste nos últimos anos, o que não foi novidade, tendo em vista o retrospecto de eventos promovidos pelo pessoal da Bahia.

Quem tiver interesse, o Jonh Wendell, um grande desenvolvedor brasileiro do Gnome que tive o prazer de conhecer pessoalmente,  fez um relato bem interessante em seu blog, como fotos e tudo mais.  Jonh, adorei o comentário "sem papa na língua".  :-)

Meus parabéns, em especial pelas brilhantes palestras que tive o prazer de assistir, dos amigos "Goa" Sherrine, Alexando Silva, da mesa redonda sobre "Como contribuir com projetos de software livre", com Aurélio Heckert, Jonh Wendell, Caio Tiago e Gilmar Santos, que teve participação ativa dos presentes.  Também pude realizar um sonho antigo, de conhecer pessoalmente o papai noel do software livre!   Espero reencontrá-los na próxima edição do evento.

Aproveito também para disponibilizar os slides de minhas palestras:

Conhecendo e colaborando com o projeto Debian, em formato PDF

Implementação de clusters de alto desempenho com Debian GNU/Linux, em formato PDF

Um forte abraço a todos e até a próxima!

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I Fórum de Software Livre do SERPRO Recife

Convido todos a participarem do I Fórum de Software Livre da regional SERPRO Recife[1], que ocorrerá de 24 a 26 de março, na sede da regional, localizada em frente ao shopping Parnamirim, próximo ao Carrefour.   A organização disponibilizará um espaço destinado às comunidades, bastando os interessados entrarem em contato comigo por e-mail, para saberem as informações necessárias.

As inscrições são gratuitas[2], e podem ser feitas através do site do evento, onde também está disponível a grade de palestras[3] e minicursos[4].

Referências:
[1]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife
[2]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/inscricoes/inscricao_form
[3]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/palestras
[4]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/mini-cursos

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Sugestões do Open-Tran em traduções de Software Livre

Quando sobra algum tempo, procuro colaborar com o time brasileiro de tradução do Debian GNU/Linux.  Ultimamente estou tentando aprender um pouco mais a respeito da linguagem de marcação SGML, para facilitar minha vida na tradução/revisão do Manual Debian de Segurança, e de quebra estou aproveitando para atualizar a versão em português brasileiro do Debiandoc-SGML.

Ultimamente fiquei em dúvida a respeito do contexto "marked-up inline text", e após consultas ao vocabulário padrão do LDP-BR, buscas no histórico da lista debian-l10n-portuguese, ferramentas de tradução do Google e Babylon, ainda continuei sem encontrar uma palavra que melhor representasse o significado de "inline".

Por sugestão do Vladimir Melo, no canal de IRC #tradutores da rede irc.freenode.net, fiquei conhecendo uma iniciativa bastante interessante chamada Open-Tran, onde estão disponíveis sugestões de tradução utilizadas no instalador Debian, Gnome, KDE, OpenSUSE, OpenOffice, entre outros.  Foi lá que finalmente encontrei uma sugestão apropriada para o contexto em questão, que foi "texto incorporado com marcação".

Acredito que a maioria já conheça, porém fica aqui a dica, pois tal iniciativa ajuda a mantermos uma uniformidade das traduções.  Aproveitei para ajustar um plugin de busca do firefox/iceweasel* para o Open-Tran que tem me ajudado bastante, pois embora já exista um plugin, queria algo na barra de busca.

* O arquivo está com extensão .odt, mas na verdade é um .xml, pois minha conta no wordpress não aceita upload de arquivos com esta extensão.

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A importância dos relatórios de bug

Estreando minha participação no Planeta Debian Brasil (obrigado FAW ;-) ), aproveito a oportunidade para abordar, principalmente para os usuários iniciantes de software livre, a importância de consultarmos os relatórios de bugs.

No caso do Debian, existe o Sistema de Acompanhamento de Bugs (BTS), onde podemos encontrar todos os relatórios de bugs, além do Sistema de Acompanhamento de Pacotes (PTS), onde podemos acompanhar quase tudo relativo a vida de um pacote.

Para exemplificar melhor a importância dos mesmos, por esses dias adquiri uma impressora laser Samsung ML-2010, e após verificar no openprinting.org que o driver recomendado era o splix, que por sinal já está empacotado oficialmente, bastou apenas fazer a instalação da seguinte forma:

~$ sudo aptitude install splix

Então, adicionei a impressora através da interface web de gerenciamento do cups, e quando tentei imprimir a página de testes, apenas obtive a impressão da seguinte mensagem de erro:

INTERNAL ERROR - FALSE

POSITION : 0x11 (17)
SYSTEM : h6fwsim_mono/x1_tbl
LINE : 396
VERSION : SPL 5.05 01-04-2006

Normalmente, o procedimento mais comum seria recorrer às buscas no google e/ou listas de discussão de usuários. Entretanto, demostrando o valor de conhecermos melhor as distribuições que utilizamos e as ferramentas disponíveis, preferi consultar se havia algum relato de bug relativo ao splix no BTS. E qual não foi minha satisfação ao ver que o mesmo problema já havia sido relatado por outros usuários e melhor ainda, em um dos relatos havia um patch, que por motivo desconhecido ainda não foi aceito pelo mantenedor do pacote, com a nova versão do upstream já empacotada para testes, inclusive com relatos de que já havia sido testado com sucesso. Pronto, pacote instalado através do dpkg, e o problema na impressão foi resolvido. Por fim, consultei como andava o histórico do splix no PTS, e de quebra cadastrei o rss para me manter informado sobre as futuras atualizações do mesmo.

Caso interesse, existe um aplicativo chamado reportbug-ng que facilita bastante a análise dos relatórios, como também o relato de novos bugs encontrados. Sua instalação é bem simples, embora tenha o inconveniente de só estar disponível oficialmente na versão unstable, basta fazer o seguinte:

~$ sudo aptitude install reportbug-ng

Salientando que é necessário conhecer o idioma inglês para entender a interface e o conteúdo dos relatórios.

Bom, espero que os afobado de plantão, independente de distribuição, aprendam a dar a devida importância aos relatórios de bug. ;-)

Um abraço e até a próxima!

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